quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cada um cria sua cria


As pessoas quando estão apaixonadas dizem ter borboletas no estômago. No entanto, borboletas vivem apenas 24 horas. Será então mesmo amor? Se for amor ele deve ser um novo amor a cada dia, dessa forma não é um amor verdadeiro. Amor verdadeiro não muda de um dia para outro. Serão mesmo borboletas?
Meu estômago não é abrigo de borboletas, e sim de papagaios. Eles vivem mais de 100 anos e tagarelam até infernizar a vida de seus criadores. Assim é que funcionam meus sintomas de amor.
Os papagaios ficam velhos e normalmente mais maduros. E a cada dia eu percebo o quanto é imortal todo esse afeto, e que por mais tempo que passe mais sábio ele fica, mais aprendo com ele.
Cada vez mais ouço gritos e mais gritos desses papagaios enlouquecidos. Eles querem abrir as asas em tão pouco espaço e então voarem, provocando frios na minha barriga. Eles querem cantar. Assim é esse amor, que quer gritar para o mundo, que quer abrir as asas e voar.
Estou precisando de um biólogo que troque meus papagaios por borboletas. Não quero mais sentir essas tentativas de voos. Não quero mais criá-los por tanto tempo. Não quero mais ouvir esses cantos. Não quero gerar novas emoções. Assim como não quero mais amar de verdade enquanto brincam de amar.

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