sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Doze badaladas


Conto de fadas sem “Era uma vez...”, talvez por não terminar com “Felizes para sempre”. Mas ainda assim, foi um conto de fadas.

Eu amava uma pessoa como nunca amei ninguém. Porém a via com um sorriso iluminado por está ao lado de seu amor incomparável. Ao ver tais cenas de gargalhadas amorosas, resolvi esquecê-lo sem nunca esquecer, afinal foi meu primeiro amor, e não amar tanto outro alguém.
Por mais que planejemos qualquer coisa nessa vida, tudo muda em instantes.

Por volta do mês de abril, maio, algo diferente aconteceu. Ao atravessar a avenida, deparei-me com um abraço apertado e um cheiro diferente. Era Outono. Gosto de cacau, cheiro daquele menino e um tun tun tun no coração. Ainda não tinha uma conclusão, mas os sintomas já estavam todos na cara. Foi inesperado e inexplicável.
O tempo passou, e um grande baile na cidade aconteceu. Todos a espera da luz da festa, mas para mim o que interessava era aquele garoto. E ele surgiu. Dançamos. Porém eu saí correndo sem esquecer a sandália de salto.
O inverno tinha começado, mas eu não sentia frio. Pelo contrário, toda vez que o encontrava minhas mãos suavam, meu corpo suava. Estava mais que decidido: Eu havia amado outro alguém! Um pouco menos, mas havia amado.
Semanas de planejamentos para o “Eu te amo” e por um segundo tudo mudou, nada aconteceu como o combinado. Mas aconteceu. Não foi em um mundo encantado, mas eu me senti em um livro, escrevendo minha própria história.
Éramos dois. Na verdade, não éramos. Eu era uma e ele um, na tentativa de sermos dois. Porém, ao som das doze badaladas, ele continuou a ser um e eu me fiz meia.
Eu tinha um sonho: “Que eu amo, que se amem, que me amem”. Eu amei sem nunca saber o que é amar, no entanto realizar um sonho pela metade é não ter realizado-o. Fui feliz enquanto o sonho durou, até ter a certeza que não seria concluído. Agora é hora de colocar os pés no chão.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Contemple o dia


O dia nasceu com um sol radiante. Passarinhos voavam e cantavam para celebrar a alegria da vida. As sementes criaram formas e tornaram-se lindas flores. O céu está mais azul que ontem e as nuvens com novos desenhos. Na escola conversas e gargalhadas com os amigos. O vento bate forte no rosto dando o prazer da respiração. As abelhas fabricam mel e o cachorro pula em seu dono com a pata suja de lama, lambendo-o. Para terminar o dia, um barulho de garoa, um banho de chuva.
No entanto o que vemos é um calor insuportável, um barulho de pássaros que chega a incomodar, não vemos flores, o céu é o mesmo de ontem, a escola é mais uma tarde perdida, o vento assanha o cabelo, as abelhas machucam e o cachorro suja, e finalmente... A chuva nos impede de sairmos para algum lugar.
O dia nasceu com um sol radiante. Se você não estivesse vivo, não teria o prazer de ver o encantamento desse dia. Porém, mesmo estando você o ignora. Ignora todas essas maravilhas, esses presentes do teu dia. E mesmo que não ignore, sempre vê o lado ruim das coisas.
PARE! Contemple o dia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cada um cria sua cria


As pessoas quando estão apaixonadas dizem ter borboletas no estômago. No entanto, borboletas vivem apenas 24 horas. Será então mesmo amor? Se for amor ele deve ser um novo amor a cada dia, dessa forma não é um amor verdadeiro. Amor verdadeiro não muda de um dia para outro. Serão mesmo borboletas?
Meu estômago não é abrigo de borboletas, e sim de papagaios. Eles vivem mais de 100 anos e tagarelam até infernizar a vida de seus criadores. Assim é que funcionam meus sintomas de amor.
Os papagaios ficam velhos e normalmente mais maduros. E a cada dia eu percebo o quanto é imortal todo esse afeto, e que por mais tempo que passe mais sábio ele fica, mais aprendo com ele.
Cada vez mais ouço gritos e mais gritos desses papagaios enlouquecidos. Eles querem abrir as asas em tão pouco espaço e então voarem, provocando frios na minha barriga. Eles querem cantar. Assim é esse amor, que quer gritar para o mundo, que quer abrir as asas e voar.
Estou precisando de um biólogo que troque meus papagaios por borboletas. Não quero mais sentir essas tentativas de voos. Não quero mais criá-los por tanto tempo. Não quero mais ouvir esses cantos. Não quero gerar novas emoções. Assim como não quero mais amar de verdade enquanto brincam de amar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Tudo que vai, fica vivo nas lembranças


Uma amiga me disse: “Raianne mulher, sempre que o pensamento vier expulsa, ocupa a cabeça com outras coisas.” Não sei o que acontece com esses pensamentos, querem ter vontades próprias, insistem em lembrar o que não devem. Mas confesso que gosto. Por mais que às vezes doa mais que corte profundo, eu gosto desses pensamentos tolos, confusos e esperançosos.
Com os olhos fechados ou abertos vem teu rosto na minha frente. Isso não é bom. Ou é. Como diz a frase “Os sonhos nos dão aquilo que a realidade nos nega”. Essa é a mais pura verdade. Eu fico triste em poder te ter só nos sonhos, mas me conforto e fico feliz em poder te encontrar neles e ter a certeza do final feliz, afinal nos meus sonhos quem manda sou eu.
Para quem me observa de fora, vê um rosto em posição de estátua. Essas pessoas gostam de falar que eu devo voltar pra realidade, não desejar tanto e que é sempre melhor fixar os pés no chão. Para elas eu digo que eu mantenho meus pés bem fixos, mas que esses meus pensamentos me dão o conforto e a felicidade que preciso, portanto deixem-me sonhar. Sonhar contigo.
Essa mesma amiga me volta a perguntar: “Se não é pra ser amado e necessário, que sentido há?” E é pra ela que eu pergunto: E quem te disse que amar faz sentido? Mesmo sendo necessário e correspondido, o ato de amar não faz sentido algum e mesmo assim muitos amam.
Padre Fábio em uma das suas palestras disse que o amor mais verdadeiro é aquele pelos inválidos, pois por mais que esta pessoa não possa nos oferecer nada em troca, não sabemos viver sem ela. E é assim que acontece nos meus sonhos. Por mais que eu saiba que você não pode me oferecer mais nada, ainda passo a maior parte do tempo pensando em ti. Isso não faz sentido, mas quem disse que amar tem sentido?

sábado, 2 de outubro de 2010

Complexa distorção


Olho-me no espelho e já não sei distinguir quem sou. Não há um inteiro, só vejo pedaços. Dos meus olhos saem lágrimas de tristeza, da minha boca um sorriso escuro que ninguém consegue enxergar a realidade, dos ouvidos entra palavras confusas, no meu peito um coração perturbado, dos meus pés passos para o acaso.
Uma completa confusão onde me perco. Minha cabeça não suporta mais tantos desentendimentos, ela já não consegue distinguir o certo do errado, o bom do ruim. Apenas segue os comandos de cada órgão. Mas esses comandos se misturam e daí em diante a confusão está formada. Preciso de uma sincronia imediata.
Os pedaços tem que formar um todo e só assim conseguirei enxergar novamente quem sou e poderei viver com o brilho nos olhos, gargalhadas na boca, músicas nos ouvidos, batimentos no coração e uma trilha para uma saída concreta. Preciso de ajustes.

Sigo meu instinto animal


Agora eu sei perfeitamente como os passarinhos se sentem presos em uma gaiola.
Deus deu a eles asas para que pudessem voar infinitamente, assim como me deu pés para trilhar meu próprio caminho. No entanto as pessoas insistem em acabar com esse sonho, prende-nos como se fossem donos de nossas vidas. Mas não. Ninguém é dono da vida de ninguém. Se esse é o nosso destino, deixem-nos alcançar os voos mais altos.
Ninguém pode me dizer o que eu devo ou não fazer. Tudo bem que sempre é bom um conselho. Mas daí a querer me privar de sonhar, de lutar pelas minhas conquistas, me prender em uma gaiola com medo do que possa acontecer!? Não! Isso já é demais.
Passarinhos morrem. Mas me diz: Quem vive pra sempre? Quando se prendem os passarinhos eles se tornam indefesos, por isso que quando se resolve soltá-los eles já não sabem mais voar e ficam mais vulneráveis a morte.
Eu tenho vida, eu tenho pés, eu tenho vontade própria, vontade de caminhar pela vida e até de voar. Porém enquanto me prendem nessa gaiola de vida eu vou perdendo minhas aptidões e quando resolverem me soltar eu morrerei, pois não criei minhas próprias defesas.
É lindo observar aquelas variações de cores perfeitas daqueles pássaros não é? Não, não é. Lindo seria o exibicionismo dessas espécies tão lindas. Lindo seria meu voo, mas insistem em me guardar para poucos.
Não sou mais nenhum filhote de passarinho. Eu mesma vou buscar o que comer. Não são necessários tantos cuidados, nunca dei motivo algum para tamanha proteção. Já é chegada a hora de me libertar, antes que seja tarde e eu esqueça de como é caminhar com as próprias pernas. Deixem-me voar!!