segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Embaralha. Vivi. Desembaralha


Ao contrário de muitos, eu queria poder fechar os olhos e quando abrir vê meu mundo exatamente igual ao que eu deixei. Com todos os problemas, sofrimentos, arrependimentos, sorrisos, festas. Acontecimentos. Momentos.
Meus choros por dor de dente, por ter caído da bicicleta, um corte de cabelo, por uma nota baixa, por um pesadelo na madrugada, por medo de cachorro ou de dormir sozinha... Tornaram-se choros causados por brigas inúteis, úteis, decepções, stress sem motivo, cólica, amizades desfeitas, por um amor, por sorrir e por medo de cachorro. Amadureci. Mas nem por isso minhas lágrimas ficaram mais molhadas ou enxutas, elas ainda são salgadinhas e chegam a serem amargas.
Sorri por acreditar em Papai Noel e em coelho da Páscoa, ao ganhar um brinquedo no dia das crianças, por um carinho do pai e um colo de mãe, por ser diretora do clubinho, por pensar em bobagens, loucuras e por acreditar em besteiras. Sorriu por comer chocolate em meio a uma crise, por acreditar em amizades para sempre, e na frase “Felizes para sempre”. Por ter um livro preferido, uma mania que ninguém tem, ou quase ninguém, por acreditar em um mundo igualitário onde todos pudessem correr o mesmo risco que eu: ser feliz para sempre, com amor ou sem amor.
Para que mudar essa história? Eu ganhei de presente a vida, mas tinha a missão de viver. Eu vivi o da maneira que eu escolhi. E é assim que eu quero acabar: Vivendo, desse jeito, até depois da morte.

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