segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Esperança na janela


Tradição familiar. Dia 24 e a botinha vermelha posta no basculante da casa de vovó. Meia noite e nenhum vestígio de um velhinho de barba branca, além de vovô. Tantas expectativas frustradas.
– Ele não leu minha cartinha!! Ele acha que eu não fui uma boa menina!! É... acho que briguei um pouquinho além da conta com minha irmã. Não adianta, ele não vem...
Uma tentativa de sonhos. Muitas tentativas de conseguir dormir. Tudo em vão! A ansiedade para saber se ele tinha mudado de ideia era bem maior. Na calada da noite eu saí, com passos assustados que trilhava um caminho para o mágico. E bem à frente a botinha, bem cheia, como se estivesse alguém a calçando. Os passos tornaram-se bem maiores do que as pernas.
– Ele veio!! Ele veio!! Trouxe chocolates, presilhas, uma botinha nova!!
Brilho nos olhos igual o das bolinhas coloridas na árvore. Sorriso iluminado igual do pisca. Inocência de menina pequena. Feitiço do homem de barba branca.
Hoje escuto uma voz vinda da janela. Não é Papai Noel. É um homem de barba preta que invés de trazer presentes, pede uma ajuda para fazer seu Natal.
E só então entendi que a esperança é bem maior que uma história que se repete na família. Ela vai além da espera de uma botinha cheia. A esperança é ver nos adultos o mesmo brilho de uma criança. É perceber que os sonhos se repetem e se realizam. É poder realizá-los.

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